Poesia e profecia


Lábios Impuros (II)*

william-blakeilustra-poema-poesia-e-profecia

Cresta a brasa em seus lábios –
o serafim contra o canto inerte.
Ei-lo aqui, a contestar os sábios
sua voz clamando no deserto.

E mesmo dos mares inavegados
sua voz clama por delicadeza –
deixai que o anjo de livro antigo
salte e vos desperte à Natureza.

As cores todas redivivas colhei
e da montanha antiga descei
ó bardo, e mostrai à nossa face
as tábuas de uma nova grei.

Todo homem sob a Terra
ainda que o mais triste,
o mais trôpego que seja
o peregrino exangue…

Saibam todos agora e exaltem
o passo à próxima porta aberta
salvos que foram pela tenaz.

O anjo crestou o lábio impuro.
Saiba todo homem e súbito
exalte a mensagem do profeta:
o vislumbre de sonho novo.

Que um pássaro da noite veio
é quem desata o próximo portal.

O poeta pela tenaz do Anjo –
fez-se em profeta alucinado.

Sim, ante à tenaz do arcanjo
de toda solidão curado,
toca o clarim da alvorada;

em rouxinol transmutado,
do Amor tece sua balada.
./.
Plantation (Flórida), 13 de FEV/2017.
[(*) Poema composto a partir da leitura de um trecho de Isaías, 6.]

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s