Poemas do autor


Poesia Falada*Poesia Falada_TrechoInsta

 

POESIA FALADA

palavra à noite cantada

co´a manhã se desfaz

em palavra granulada:

matinal achocolatado

já não sente a poesia

tal qual ressoara clara

na madrugada alta

Et pourtant, fala!

Será a escrita fogo fátuo?

marca gravada em gado,

ou cardo na sua pata?

(O poeta-boi rumina,

mas não é vaca sagrada).

Estrela cadente, cabala:

meros fogos de artifício

ruidosos melros da fala:

na calma manhã se calam

E de novo à noite

continua a caça

– Ah! Noite, tu

a guia do vate és,

virtualmente, baça.

Cães dão o alarma:

acordam a sentinela

ansiosos, ladram

nessa guarita alta

do posto de fronteira

entre escrita e fala

entre noite e dia
o poeta (aprisionado)
se cala.

****
Fonte: QUEIROZ, Adalberto. Cadernos de Sizenando: poemas e crônicas, Goiânia: Kelps, 2014. Disponível em Revolução eBook.

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