Da tríade dos católicos poetas do Brasil (1)

Schmidt e os Sonetos Completos

AUGUSTO FREDERICO SCHMIDT , Poeta (1906-1965).

O QUE DIZER DESTE GRANDE POETA, 50 Anos depois?
– Antonio Olinto tenta responder em um artigo notável sobre o poeta-empreendedor-dirigente bota-foguense e católico de renome nas letras pós-modernistas do Brasil.

Do artigo de Antonio Olinto, “Schmidt, o Brasileiro”, retiro um trecho para introduzir este maravilhoso livro de um gigante da poesia feita por um dos mais importantes membros da inteligência católica no Brasil.

“Há que falar de Augusto Frederico Schmidt como poeta. Que o foi, e dos melhores de seu tempo. Seu poema de Natal é citado como típico entre seus versos: “Caminharei em busca do presépio, Senhor./ Não haverá nenhuma estrela/ Para guiar meus passos.// Mas estarei tão atrasado,/ O tempo terá caminhado tão na minha frente.” “Muitos rirão de mim sabendo que te procuro.

"E eis um poema de amor de Schmidt: "Meu amor, a noite cai aos poucos/ Sobre mim, aos poucos sobre mim / E é como terra/ Sobre corpo de morto". O ensaísta belga Karel Jonkheere diz que os poetas flamengos desconfiam do grito, da falta da medida. Jamais se exaltam. O brasileiro Augusto Frederico Schmidt, ao contrário, aos gritos e na maior falta de medida, como que desnuda o nervo de sua canção e de seu ritmo.
Daí a força de sua poesia e o tom doloroso de seus poemas de amor. Seus versos se alongam, estabanados, turbadamente límpidos, no instável domínio do grito que não se contém. É, a sua, uma poesia inconsutilmente ligada ao pensamento brasileiro. Poesia, por isto, permanente, enquanto houver memória da cultura dos que vivem em nossa terra." 
(Se desejar, leia o artigo completo no Jornal de Poesia, mas volte para ler o resto deste post).

 

Augusto Frederico Schmidt, "Sonetos"
Do livro de Augusto Frederico Schmidt, “Sonetos”, Rio Gráfica Editora, RJ, 1965.

AugustoFSchmidt2 AugustoFSchmidt1

Grande entre os grandes Poetas do Brasil. Gigante entres os Católicos poetas do Brasil, de um Brasil que tinha, teve e tem a graça da poesia de Jorge de Lima, Murilo Mendes e Augusto – a tríade sagrada da nossa Poesia.

Feliz com a aquisição desta raridade em um sebo de minha cidade, vou explorando os sonetos, dentre tantos outros livros encontrados na “mina de ouro” do Sr. Joari, o sebo “Feira Cultural” (Rua 4 quase esq. c/ Rua 8 – Centro), Goiânia.

(*) Eis um exemplar em que se mostram a boa poesia e a grande arte da ilustração.

A morte de Augusto Frederico Schmidt.  Jornal do Brasil: Terça-feira, 9 de fevereiro de 1965
JB Notícia: morte do poeta Augusto Frederico Schmidt,1965
Augusto Frederico Schmidt e os Sonetos ilustrados num volume primoroso, 1965.
Nota dos Editores do importante volume do que seria “Sonetos Completos de A. F. Schmidt” – o livro que bem ilustrado não chegou a ser visto pelo poeta em sua versão final

A obra da Rio Gráfica e Editora é de 1965 publica a maioria dos poemas de Augusto.
Créditos: impressão das ilustrações, fora do texto, sobre papel Kraft, monolúcido, S.M., em processo off-set; clichês de capa e ilustrações dentro do texto, gravadas no papel dos poemas. Ilustrações fora do texto – Iedda Salles, Anna Bella e Laszlo Meitner (também autor da Capa); ilustrações impressas em texto de autoria de Gian e Anna Bella. Este livro é um primor, mesmo a quase 50 anos de seu lançamento, ocorrido em abril de 1965!
A importância deste livro que completa meio-século de vida está em que o poeta havia confiado aos editores (e grandes amigos Alínio de Salles e Fernando de Castro Ferro), duas semanas antes de sua morte um volume de sonetos inéditos e outros anteriormente publicados, com o objetivo de lançar o que seria “Os Sonetos Completos de Augusto Frederico Schmidt”. A escolha dos artistas par ilustrar o livro – diz-nos os editores em nota na página de abertura do volume, “foi aprovada pelo Autor, mas infelizmente o poeta não chegou a ver as ilustrações…”. A encomenda aos artistas, por parte da casa editorial, foi seguida do conselho de que “ilustrassem a obra como um todo e que não procurassem como tema este ou aquele soneto; [ao] que eles [artistas] afirmaram que sentiram profundamente inspirados pelo lirismo melancólico do Poeta e, em nossa opinião, o resultado artístico foi notável” – é o que diz a nota, meio ilegível acima.


AugustoFSchmidt3

– O tema: “Ilustração de livros de poesia” ou poemas e artes plásticas – veio à pauta num bate-papo com o artista plástico Leonam Nogueira Fleury, de quem tive a autorização para a elaboração da capa do meu livro, recém-lançado de poemas e crônicas (Cadernos de Sizenando).

Em posts futuros, vou publicar alguns poemas e, sempre que possível, com a ilustração que o acompanha na bela edição citada.

“QUERO sentir o grande mar, violento e puro.
Quero sentir o mar noturno e enorme.
Quero sentir o silêncio, o áspero silêncio do mar!
Quero sentir o mar! Quero viver o mar!

Quero receber em mim o grande e escuro mar!
Não o mar-caminho, mas o mar-destino,
O mar, fim de todas as coisas,
O mar, túmulo fechado para o tempo.

Quero o mar! O mar primitivo e antigo,
O mar virgem, despovoado de imagens e de lendas,
O mar sem náufragos e sem história.

Quero o mar, o mar purificado e eterno,
O mar das horas iniciais, o mar primeiro,
Espelho do Espírito de Deus, rude e terrível!.
+++++
*Augusto Frederico Schmidt, obra citada, p.49.

5 comentários em “Da tríade dos católicos poetas do Brasil (1)

  1. “Rude e terrível…” é, isso soa meio bíblico sim, como diria Bandeira 😉
    Queria achar a crônica em que Manuel Bandeira opina sobre a poesia religiosa de Schmidt; algo sobre o poeta não orar de forma humilde, beata (no mau sentido é que uso essa expressão), ‘boazinha’ – e sim como os antigos hebreus oravam, como encontramos nos salmos. Desassombradamente (vai o neologismo… ).

    Curtido por 1 pessoa

    1. Claire,
      Ainda hoje hei de postar mais desse Desassombro de AFS. Schmidt tem uma série de poemas neste livro com um personagem poético “Profeta” que assim se expressa de início:
      Rainha de Babilônia, resplendente,
      Coberta de ouro e jóias diamantinas,
      Deixa que este Profeta miserando
      Venha dizer-te negros vaticínios.
      E segue em versos outros de desassombro e às vezes amaina a voz para isso:
      OUVE o Profeta cantar de manso…
      Até mais, Claire, volto com mais Augusto Frederico Schmidt.
      Amitiés,
      Beto.

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s