Walt Whitman (1/10)


“Feuillage, ensemble, accoucheur, trottoir, rendez-vous, embouchure, nonchalance, rondure, rapport…

– A maioria dessas palavras (entre outras do pequeno dicionário “franglais” de Walt Whitman) podem ser achadas no Webster’s “An American Dictionary of the English Language (News Haven, 1841).

Isso é o que nos conta Francis Murphy na introdução à edição da obra de Whitman – “The Complete Poems”, Penguin Books.

H.L. Mencken on Walt Whitman Lingua
Word-coiner, Whitman usou a língua das ruas, o francês, a língua dos negros e dos púlpitos, tudo para enriquecer o verso-livre.

Num famoso artigo, citado por Murphy (não o da lei que leva seu sobrenome!), Mme. Louise Pound refere-se a Whitman como um poeta que, apesar de não ter sido um estudioso da língua de Molière – e nunca ter viajado à França; gostava de incluir o francês em seus poemas. Mme. Pound acreditava que “sua [dele] predileção por coisas francesas tenha vindo de uma viagem que o poeta fizera a New Orleans, em 1848” (*).

O sr. Murphy diz que, desde que Emerson espirituosamente assinalou que “As Folhas da Relva” do Whitman era uma ‘combinação do Bhagavad-Gita com o New York Herald’, os editores têm o prazer de chamar atenção para o fato de que Walt Whitman é um “poliglota” em seu vocabulário poético. É o caso do famoso artigo de Mrs. Pound citado acima – ver referência completa no rodapé deste post.

H. L. Mencken diz que Whitman apenas inventava termos novos e se apropriava de palavras como um “word-coiner” – cunhador de alto estilo, by the way… que, além do franglais queria em sua poesia a língua dos negros, do púlpito, das ruas…enfim, uma língua que fosse próxima da língua falada. Talvez por isso mesmo o efeito final na maioria dos poemas de Whitman é que são muito bons de ser falados, lidos “em voz alta”, como gosto de dizer ou “declamados” que é como se dizia antigamente.
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O verso-livre lhe caía bem por ter sido um tipógrafo, antes de enfermeiro na guerra de Secessão. Enfim, a pesquisa sobre “a polegada a mais sobre Mrs. Dickinson, Emily Dickinson está a toda por essas bandas. Culpa do Euler Fagundes De França Belém, o incentivo de Helio Moreira e de Cecilia Do Amaral Queiroz (que descobrimos, no jantar de ontem, ser excelente pra ler poemas de WW em voz alta!). No Facebook, compartilhei este texto com meu amigo e ex-professor de Francês, com muito aprendi sobre a França, M. Serge Evreinoff e à minha amiga, a poetisa Maria Abadia Silva, francófona.

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(*) A edição da Peguin Books é boa (e portátil) antologia, mas não se rivaliza com a da Library of America (sel. de Justin Kaplan) – “Poetry and Prose”, 1982, que se encontra fácil na B&N ou na Amazon (link acima, para Kindle) e referências abaixo:

Walt Whitman, uma vida dedicada a lapidar Folhas da Relva
As duas edições citadas, sobre a minha mesa, ao compor este post.

Fontes: WHITMAN, Walt. Leaves of Grass. Editoras citadas acima; POUND, Louise. “Walt Whitman and the French Language, in American Speech, vol. I, 1925-6, p. 421-50, cit. by MURPHY, Francis, in Whitman, The Complete Poems, da Penguin Books, 1977, p.22. + Links web acima.

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