Últimas palavras de Sylvia Plath


MANHÃ de sábado de trabalho com a natureza ao nosso lado – vantagem do home office. E, no entanto, a música e a poesia chegam para nos dar um ânimo diferente.
Ouvimos (minha mulher e eu) músicas de Nana Mouskouri e, trabalhando em mesas próximas na biblioteca, chego a Sylvia Plath. Sábado geralmente é dia de Emily (Ms. Dickinson). Hoje, no entanto, trago o poema de Mrs. Plath. Vem do livro “Fifty Years of American Poetry” (1).
Minha mulher, mirando o descanso que virá ainda  (com a revelação dos prêmios do Oscar 2012), me relembra
o filme “Sylvia” com G. Paltrow (2).

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O poema é “The Last Words”. E diz assim:

Last Words

by Sylvia Plath

I do not want a plain box, I want a sarcophagus
With tigery stripes, and a face on it
Round as the moon, to stare up.

I want to be looking at them when they come
Picking among the dumb minerals, the roots.
I see them already–the pale, star-distance faces.
Now they are nothing, they are not even babies.
I imagine them without fathers or mothers, like the first gods.
They will wonder if I was important.
I should sugar and preserve my days like fruit!
My mirror is clouding over —
A few more breaths, and it will reflect nothing at all.
The flowers and the faces whiten to a sheet.

I do not trust the spirit. It escapes like steam
In dreams, through mouth-hole or eye-hole. I can’t stop it.
One day it won’t come back. Things aren’t like that.
They stay, their little particular lusters
Warmed by much handling. They almost purr.
When the soles of my feet grow cold,
The blue eye of my turquoise will comfort me.
Let me have my copper cooking pots, let my rouge pots
Bloom about me like night flowers, with a good smell.

They will roll me up in bandages, they will store my heart
Under my feet in a neat parcel.
I shall hardly know myself. It will be dark,
And the shine of these small things sweeter than the face of Ishtar.

++++
Fonte: “Academy of American Poets”, Fifty Years of American Poetry. Introdução Robert Penn Warren. Laurel Col. Dell Publis. ed. N.York, 1995. Há várias e boas traduções em português. A meus seis leitores, a tarefa de me indicar a sua preferida. Bom sábado de poesia. Uma Dica de traduções de Felipe (Multiply).
Post-Post (1) – há muitas críticas sobre o poema e sobre a obra de Sylvia. Uma Resenha de Last Words (1). Há muitas sofisticadas, como a do livro cuja foto postei acima, que é mais do que crítica. É história sobre a sofredora Ms.Plath, que se matou aos trinta anos. Vários ensaios sobre S. Plath, by Anita Helle que coloquei na minha lista de Google Books como “Vou Ler”. Ah, sim, ia me esquecendo: o filme… Sylvia, seg. a crítica (minha mulher!) meio “deprê…”,  by the way, como foi toda a vida de Mrs. Plath (1932-1963).
Post-post (2) , em 25.02, às 19h59min– Consulto os astros e fico sabendo que “as melhores traduções de Mrs. Plath no nosso idioma vêem da portuguesa Maria Fernanda Borges, da Beatriz Horta e Ana Luiza Faria”. Também a dona Lya Luft, que já foi tradutora antes de “escrever platitudes em Veja”, como diz uma adorable friend of mine (M.), traduziu bem o The Bell Jar. Beatriz Horta, idem. “E, surpreendentemente, Ronald Polito e Deisa Chamahum Chaves fizeram um belo trabalho em XX Poemas”, arremata M. para me recomendar que eu vá caçar o volume dos XX Poemas. Hei de fazê-lo em breve.

2 comentários em “Últimas palavras de Sylvia Plath

    1. Sim, L.Fernando. Só essa parte do “I do not trust the spirit” que eu fico com um pé atrás, mas todo o resto configura isso mesmo que você disse: “Que epitáfio”.
      Pretendo voltar a Sylvia Plath em outros posts, pois ela é estrela de primeira grandeza na poesia norte-Americana (e mundial).
      Obrigado por visitar e comentar.
      Amitiés,
      BetoQ.

      Curtir

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