Fechado para Balanço (I)


E ASSIM SE VAI o nosso 2011. Hora em que os jornais rapidamente juntam suas edições do ano que finda com títulos da pletora das manchetes: 1000 fatos que marcaram; 1000 fotos que você não pode deixar de rever etc. etc.

E nós como bons cordeiros lá vamos nós seguindo fotos e manchetes, sem de fato pensarmos naqueles fatos que realmente marcaram nossas vidas, no seio dos lares, nas agruras do comércio ou da indústria, na labuta pelo pão que se ganha com o suor – seja do trabalho manual, seja dos riscos de empreender (como é o meu caso). Pois bem, a manhã de uma dia após o Natal me traz justo essa necessidade de refletir sobre o que foi importante para mim e para minha família.

O ano começou com um enorme desafio – que nos dominou a todos e a mim em particular, porque representou uma prova da Vida que deve ser defendida. Conto-lhes o caso como deve ser. Minha primeira filha estava grávida do meu segundo neto (Benjamin and me) e precisava de cuidados especiais.

Isso ela vem a saber em consulta de rotina. Até aí, tudo bem. Só não sabíamos que o pequeno mereceria muita atenção até que viesse à luz em março p.p. Tudo está contado na matéria que o pessoal do Hospital Sagrado Coração de Pensacola (Flórida, US) me economiza de contar-lhes. A emoção ao ler tudo isso é revviver o que foi para mim, em especial, os 45 dias que passei aqui em Navarre (FL) ajudando meu genro e minha filha, como um vovô babá (quase escrevo babão, mas não o faço com razões só minhas… depois lhes conto), com cuidados do primeiro neto – Lucas Q. Foust. A luta de minha amada Maíra Queiroz Foust foi a de uma guerreira da qual me orgulho muito.

Foi a luta pela Vida como ato desejável e necessário a todos que creem na Vida, mas que marcou as ‘coronárias cansadas’ deste “vovô Boy” intensamente.

Maíra Ben e dr. Thorp 001

 Maira, Ben Dr Thorp 2 001

Bem, se você leu até aqui, já sabe porque meu neto Ben é chamado de “Miracle Baby” e pode compreender a luta da Maíra e da equipe médica do Sacred Heart Medical Group (Pensacola, FL) para salvar a vida do pequenino Ben. Concordo com minha filha quando ela diz: “É muito mais do que gratidão o que sinto pelo dr. Thorp e sua equipe”. E neste Natal podemos em família todos agradecer a Deus pela vida do Ben e pela oportunidade de trocar muitas fraldas e ter “a baby to rock”.

Naturalmente, como convém a um avô lusófono com um neto “English-native”, na altura dos 4 anos, a comunicação com o meu primeiro neto (Lucas) foi outro enorme aprendizado. Desde a gravidez da Maíra, quando Lucas cunhou a expressão vovô Boy (and vovô Girl) para diferenciar quando quer falar comigo ou com a vovó (a gente não imagina o que são os sons para iniciantes numa língua estrangeira, a menos que vivenciando isso no dia-a-dia). O caminho que ele encontrou para me designar é pra mim muito afetivo e diferenciado de todos os netos americano-brasileiros.

Esse foi outro fato muito importante em minha vida de empresário e de ‘intelectual nas horas vagas (quando vagam, rs!) – aprender a conviver com um moleque dos seus 4 anos e ser vovô-Babá e amigo. O início não foi fácil porque como é comum e aceitável em uma situação dessas, não ter a mãe por perto e o pai trabalhando muito, convenhamos um avô é uma aberração que não preenche nenhuma carência. It’s not fair – dizia o Lucas muitas vezes. Porque let’s see ‘mom at the doctor’ ( i.e. no hospital) significava um grande alento (de 3/4 horas de duração) e muita perda quando voltávamos pra casa. E o caminho de Pensacola-Navarre (perto de 40min com bom trânsito) virava uma dificuldade enorme para a nossa cinquentena de anos – eu e Lucas juntos como meninos na noite voltando pra casa sem a mãe dele, sem as pessoas a nossa volta. Superamos.
E este foi o momento mágico (registrado em um iPhone da família) em que Lucas (big brother) viu o ‘little brother’ pela vez primeira, na sua saída (dele, Ben) da UTI do Sacred Heart, onde ficou menos tempo (5 dias) do que o previsto.

Este Sacred Heart hospital católico em Pensacola fundado pelas irmãs da “Divina Caridade”, em 1915, é reconhecido por prestar socorro especial a muitas mães em gravidez problemática e outras tantas pessoas em especialidades diferentes, tendo se tornado referência na região Flórida/Alabama.
Lucas e Ben_VesperNatal 2011 (Lucas e Ben, Natal 2011, Navarre, FL)
Neste Natal, o que mais disse ao Divino Pai Eterno foi “Obrigado, Senhor” por tudo. Inclusive as provações. Este amor às pessoas que nos rodeiam, este amor às situações que vivemos nos dão uma outra dimensão do sofrimento de outros tantos ao redor do mundo que não possuem assistência nenhuma. E pra fechar este post com Poesias, relembro Jorge de Lima:
“AS MÁGICAS que a Graça do Senhor faz são Poesia”. E mais não digo.
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Não perca o próximo post desta série: Fechado pra balanço (2) – Melhores leituras em 2011.

5 comentários em “Fechado para Balanço (I)

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