Hermann Broch (I)


“(…) Toda pessoa que realiza um trabalho de valor adquire certo direito a ser chamado de artista” – do simples escriturário ao grande general ou um bem-sucedido homem de negócios, todos eles “realizam sua atividade de uma forma que, “em certo sentido podemos dizer “artística”.

Essa afirmação do ex-industrial, engenheiro têxtil e escritor austríaco coincide com a afirmação de Santo Tomás quando fala sobre o ofício do sábio e o liga às ‘artes’ (ofícios) e à sua ordenação:

“…Todos quantos têm o ofício de ordenar as coisas em função de uma meta devem haurir desta meta a regra do seu governo e da ordem que criam, uma vez que todo ser só ocupa o seu devido lugar quando é devidamente ordenado ao seu fim, já que o fim (finalidade) constitui o bem de todas as coisas…

 

“Assim também acontece no setor das artes. Constatamos, efetivamente, que uma arte, detentora de um fim, desempenha em relação a uma outra arte o papel de reguladora e, por assim dizer, de princípio. A medicina, p.ex., preside à farmacologia e a regula, pelo fato de que a saúde, que é o objeto da medicina, constitui a meta ou o objetivo de todos os remédios cuja composição compete à farmacologia. (…)

E assim, S. Tomás conclui por chamar de sábios (artistas) o mestre dos mares (o piloto dos navios), o construtor destes, o grande general, a cavalaria e os fornecimentos militares, os arquitetos … e os mestres dos ofícios que presidem os demais, a esses denomina Tomás ‘arquitetos’ que fazem jus ao nome de sábios… mas isso é outra estória (para a qual voltarei em breve!). Cito, repentindo Tomás: I Cor. 3:10-11 quando S.Paulo afirma de si mesmo (com a humildade ou loucura dos santos!) que “Segundo a Graça que Deus me deu, como sábio arquiteto lancei o fundamento, mas outro edifica sobre ele. Quanto ao Fundamento, ninguém pode pôr outro diverso daquele que já foi posto: Jesus Cristo.”

E Louvado Seja N.Senhor Jesus Cristo!

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Fontes: BROCH, Hermann. “Poesia e Investigacion”. Barral Edit., Barcelona, 1974. pág.406-7. DE AQUINO, Santo Tomás (e Dante Alighieri). Ed. Nova Cultural. Trad. Luiz J Baraúna, S.Paulo, 1988, pág. 59/60.

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