Emily Dickinson, “almost a poem a day”


Hoje, pretendo unir três pessoas que aprendi a amar, desde que comecei a ler os poemas de Emily DICKINSON.
Dona Aíla, como sabem meus 3 leitores: a minha tradutora predileta de Emily, está hoje ao lado de Helen VENDLER, autora celebrada de “Dickinson, Selected Poems and Commentaries” (Harvard University Press, London, 2010, UK).

Aos que gostam de aprofundar suas leituras em crítica literária, recomendo a resenha do Washington Post ao livro de Helen Vendler no WP, que sintetizo com esse parágrafo:

“Emily Dickinson is certainly never going to be an easy poet to understand, but her dense, poignant lyrics are now a lot more accessible to ordinary readers thanks to Vendler’s unravelings. If you’re going to read Dickinson, this “selected poems and commentary” is the place to start.”

Emily Dickinson (1830-1886) deixou perto de 1.800 poemas. Segundo Vendler, “em alguns anos apaixonados, escreveu quase um poema por dia.” Dickinson ficou solteirona, como se sabe — “Myself the only Kangaroo among the Beauty” – cita Vendler. Aparentemente, isso parece vergonhoso, a reclusa solteirona, uma boa mulher cristã morando num lugar calmo do povoado de Amherst, em Massachusetts. Mas a vida interior é bem diferente , pois esta convicta cristã também não é convencional (*). Na visão do eminente crítico Harold Bloom, Dickinson foi simplesmente “the best mind to appear among Western poets in nearly four centuries.”
Selecionei do volume da professora Vendler um poema que trago na tradução de dona Aíla de Oliveira Gomes. Enjoy it, guys.

I CAN wade Grief —
Whole pools of it —   
I ’m used to that.   
But the least push of joy   
Breaks up my feet,          
And I tip—drunken.   
Let no pebble smile,   
’T was the new liquor,—   
That was all!  

Power is only pain —           
Stranded, through discipline,   
Till weights — will hang.   
Give Balm — to giants —  
And they ’ll wilt, like men —
Give Himmaleh,—           
They ’ll Carry — him!

++++++++++++++++

Tradução de Aíla de Oliveira Gomes:

Na dor eu passo a vau —
Charcos inteiros —
Questão de hábito.
Mas um leve esbarro de alegria
Me embaralha os pés,
Perco o equilíbrio — ébria.
Que nenhum seixo se ria —
Bebida inédita —
É só isto!

A força não é mais que dor
No encalhe da disciplina
Até suportar mais fardos.
Dêem bálsamo a gigantes
E — como homens —
Fracos, vergam.
Dêem-lhes o Himalaia —
Eles O carregam!
(252)
——
Fonte: “Emily Dickinson uma Centena de Poemas”. Tradução, introdução e notas de Aíla de Oliveira Gomes. T.A.Queiroz/USP. S.Paulo, 1984, pág. 54/55. (*) Ser não convencional, é notável em muitos outros poetas e escritores (inclusive muitos santos e santas). VENDLER, Helen.
“Dickinson, Selected Poems and Commentaries” (Harvard University Press, London, 2010, UK).
Veja páginas anexadas abaixo. Todos os direitos reservados ©VENDLER, Helen.
Post-post: Parafraseando Helen Vendler que afirma: “this is a book to be browsed in, as the reader becomes interested in one or another of the poems … on here”. Assim também este meu sítio… que pode prover leituras e comentários de dona Aíla (e uns poucos meus) sobre os poemas de Emily D. Recomendo também o catálogo de poemas falados (lidos) da autora. Amplie a experiência da leitura.
Para ouvir Emily Dickinson
, poemas lidos por nativos do inglês que nos dão nuances das técnicas poéticas de Emily. Vale a pena visitar o Emily Dickinson no LibriVox e conhecer este e outros poemas da série já publicada e d’outras.

Vendler 1Vendler 2 
Vendler 3Vendler 4

 

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