Minhas leituras da Quaresma (2)


San Juan de La Cruz, o Doutor Místico (Fontiveros, Ávila, 1542 – Úbeda, 1591) – Poeta e místico espanhol, doutor da Igreja.
Nascido Juan de Yepes, frade carmelita, foi discípulo e amigo de Santa Teresa d´Ávila. Este homem de grande cultura humanística e com um perfeito domínio da linguagem, fundamentou sua vida numa busca mística e na Oração. Toda a sua obra, em prosa e em verso, é de caráter ascético-místico. Na sua escassa obra poética, destacam-se três poemas excepcionais: “Noche oscura del alma“, “Llama de amor viva” e, o mais importante, “Cántico espiritual“.

Em minhas leituras desta Quaresma, reencontro esta referência em meio a um estudo de apoio espiritual, que tem Santo Ignacio de Loyola (Exercícios) como referência principal. O que mais valida a experiência da travessia desse período é o apoio de mestres como esses dois: um místico e um disciplnador.

La susceptibilidad a las tentaciones me parece un rasgo valioso de las personas: indica sensibilidad, atención a lo real, interés por ello, percepción de los valores, vitalidad interna.La ausencia de tentaciones revela sequedad,pobreza, pusilanimidad, falta de generosidad, cobardía“.

Nas tentações estejamos certos – como nos lembra Santo Ignácio de Loyola que “el auxilio divino […] siempre le queda, aunque claramente no lo sienta“.

Poema da Fonte (São João da Cruz)

CANTAR DA ALMA QUE GOZA
POR CONHECER A DEUS PELA FÉ

Que sei bem eu a fonte que mana e corre
mesmo de noite.
Aquela eterna fonte está escondida,
mas eu bem sei onde tem sua guarida,
mesmo de noite.

Sua origem não a sei, pois não a tem,
mas sei que toda a origem dela vem,
mesmo de noite.

Sei que não pode haver coisa tão bela,
e que os céus e a terra bebem dela,
mesmo de noite.

Eu sei que nela o fundo não se pode achar,
e que ninguém pode nela a vau passar,
mesmo de noite.

Sua claridade nunca é obscurecida,
e sei que toda luz dela é nascida,
mesmo de noite.

Sei que tão cautelosas são suas correntes,
que céus e infernos regam, e as gentes,
mesmo de noite.

A corrente que desta vem
é forte e poderosa, eu o sei bem,
mesmo de noite.

A corrente que destas duas procede,
sei que nenhuma delas procede,
mesmo de noite.

Aquela eterna fonte está escondida,
neste pão vivo para dar-nos vida,
mesmo de noite.

De lá está chamando as criaturas,
que nela se saciam às escuras,
porque é de noite.

Aquela viva fonte que desejo,
neste pão de vida já a vejo,
mesmo de noite.

[A canção no original]

Cantar del alma que se goza
de conocer a Dios por fe

Que bien sé yo la fuente que mana y corre,
aunque es de noche.
Aquella Eterna fuente está escondida,
que bien sé yo dó tiene su manida,
aunque es de noche.

Su origen no lo sé que pues no le tiene,
mas sé que todo origen della viene,
aunque es de noche.

Sé que no puede ser cosa tan bella
y que cielos y tierra beben della,
aunque es de noche.

Bien sé que suelo en ella no se halla
y que ninguno puede vadealla,
aunque es de noche.

Su claridad nunca es oscurecida
y sé que toda luz de ella es venida,
aunque es de noche.

Sé ser tan caudalosas sus corrientes
que infiernos cielos riegan y a las gentes,
aunque es de noche.

El corriente que nace desta fuente
bien sé que es tan capaz y tan potente,
aunque es de noche.

Aquesta Eterna fuente está escondida
en este vivo pan por darnos vida,
aunque es de noche.

Aquí se está llamando a las criaturas
porque desta agua se harten aunque a oscuras,
porque es de noche.

Aquesta viva fuente que deseo
en este pan de vida yo la veo,
aunque es de noche.
+++

(1)rasgo: característica.
(2)sequedad:brevidade; pequenez; deficiência.

4 comentários em “Minhas leituras da Quaresma (2)

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  1. Oi, JORGE.
    Bem-Vindo! Obrigado por comentar.
    Na verdade, a linda canção de Raul Seixas é uma adaptação do poema de São João da Cruz.
    Por exemplo a questão do Pão Vivo (em referência ao Cristo presente na Eucaristia) não foi levado em conta. E pra mim, é o ponto central do poema do místico San Juan…
    Amitiés,
    BetoQ.

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  2. Relendo tudo isso, um ano e pouco depois, penso que São João e seu misticismo são musicais. É uma pena que R. Seixas não tenha respeitado a essência do poema de San Juan…
    Aquesta viva fuente que deseo
    en este pan de vida yo la veo,
    aunque es de noche.

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