A banalidade do mal


O fenômeno de Hitler não se esgota em sua pessoa. Seu sucesso deve ser situado no quadro geral de uma sociedade arruinada intelectual ou moralmente, no qual figuras que em outros tempos seriam grotescas e marginais podem ascender ao poder público por representarem formidavelmente o povo que as admira. Essa destruição interna de uma sociedade não terminou com a vitória dos aliados sobre os exércitos alemães na II Guerra Mundial, mas continua até hoje. Devo dizer que a destruição da vida intelectual na Alemanha em geral e nas universidades em particular é fruto da destruição perpetrada sob seu regime. O processo ainda está em curso e não é possível entrever seu fim, de sorte que consequências surpreendentes são possíveis. O estudo do período (hitlerista) por Karl Kraus, e especialmente sua arguta análise do detalhe sujo (aquilo que Hannah Arendt chamou de `banalidade do mal´) tem grande importância para nós hoje, pois é possível encontrar fenômenos correlatos na sociedade ocidental, embora não ainda, felizmente, com os efeitos destrutivos que resultaram na catástrofe alemã.

*****
Reflexões Autobiográficas“, Eric Voegelin, pág. 41, Ed. ÉRealizações, 2008.
(Qualquer semelhança entre Brasil e Alemanha é mera coincidência)

6 comentários em “A banalidade do mal

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  1. Caro amigo,

    O mal se faz presente nas ruas e becos do Brasil, no entanto, nós fazemos de conta que nada acontece além de nossas telas de plasma. A “banalidade do mal” transforma-se numa espécie de game em que a morte de pequenos inocentes são apenas mais uma fase do jogo. Muito triste tudo isso!

    Fraterno abraço

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  2. Caro Rodrigo,
    Obrigado pela visita!
    Sei que seu comentário se dirige ao Dia dos Avós, mas achei bom que você tenha lido o post sobre Voegelin.
    Amitiés,
    Beto.

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