Bento XVI, Dúvida e Fé (1)


Jesus de NazaréEnquanto aproveito a leitura do recém-lançado livro do Papa Bento XVI, intitulado “Jesus de Nazaré“, gostaria de reabilitar citações do recém lido “Introdução ao Cristianismo“.
Desde já, recomendo aos verdadeiramente interessados em conhecer o pensamento de Sua Santidade, que, mesmo sem abandonar as coberturas das agências internacionais (e o ´molho gramisciano` das redações tupiniquins), leiam os escritos do Papa.
Se assim procederem, podem en
contrar boas surpresas, e ficar diante de um excelente intérprete dos Evangelhos. Podem encontrar um homem sábio e de raciocínio que vale ser descoberto, mas isso se forem capaz de atender ao humilde chamamento do Pontífice no prefácio de seu “Jesus de Nazaré”:
Peço apenas aos leitores um adiantamento de simpatia, sem o qual não há nenhuma compreensão“.

Novo livro de Bento xvi
Por ora, proponho a vocês, meus queridos leitores…
Citações de “Introdução ao Cristianismo”
1 –
“…existe no fiel a ameaça da incerteza que, em momentos de tentações, revela de repente e com toda a dureza a fragilidade de tudo aquilo que costumava parecer-lhe tão evidente. Analisemos a situação em alguns exemplos. Teresinha de Jesus, essa santa amável, aparentemente tão ingênua e descomplicada, crescera num ambiente de total segurança religiosa. Do começo ao fim, a sua existência fora marcada, em todos os detalhes, pela fé na Igreja, a ponto de o mundo invisível ter se tornado parte de seu cotidiano, ou melhor, ter-se transformado em seu verdadeiro cotidiano, ficando quase palpável e totalmente indispensável. Para ela, a “religião” era realmente um dado óbvio de sua existência diária; lidava com ela como nós lidamos com as realidades comuns e palpáveis da vida. Mas justamente ela que aparentemente vivia numa situação de segurança sem riscos deixou-nos confissões comovedoras, lançadas no papel durante as últimas semanas de seu padecimento, e que as suas irmãs, assustadas, procuraram atenuar mais tarde nas páginas de seu espólio. Só agora pudemos tomar conhecimento delas em virtude da publicação de uma edição crítica e literal de suas obras. Numa certa passagem ela afirma, por exemplo: “Insinuam-se as reflexões dos piores materialistas”. A sua inteligência se vê acossada por todo tipo de argumento contra a fé; parece que a sensação de fé desapareceu; ela se sente colocada na “pele dos pecadores”. Isso significa que, num mundo aparentemente sólido e blindado, um ser humano se vê confrontado, de repente, com o abismo que se esconde debaixo da estrutura firme das convenções que nos sustentam. Numa situação dessas já não se trata desta ou daquela questão que possa estar em pauta assunção de Maria, sim ou não; a confissão deve ser feita desse ou daquele jeito –, tudo isso se torna totalmente secundário. O que está em jogo é realmente o todo: tudo ou nada. É a única alternativa que resta, e em parte alguma surge um pedaço de chão firme em que possamos agarrar-nos nessa queda vertiginosa. Até onde a vista alcança, nada além do abismo sem fundo.(…)”
+++++
Fonte: “Introdução ao Cristianismo“, Ed. Loyola, SP, 2005. Cap.1, I, “Dúvida e Fé – a situação do homem diante da questão de Deus”. No próximo post, pretendo transcrever trechos do mesmo livro de S.S., Bento XVI, no qual faz citações a “Sapato de Cetim” de Paul Claudel.

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